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Distonia

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A distonia é uma doença do sistema nervoso, cuja principal característica é o movimento involuntário dos músculos (espasmos), provocando movimentos e posições anormais de uma parte ou da totalidade do corpo. Há uma paragem repentina do movimento da pessoa, provocada pela contracção involuntária, lenta e repetitiva do músculo.

A distonia tem várias denominações consoante o local afectado. Se for numa zona limitada do corpo como as mãos, pescoço ou olhos, é distonia focal. Em duas zonas juntas, como braço e mão, a distonia é segmentar; em metade do corpo é hemidistonia; se afectar todo o corpo é distonia generalizada.

Há dois tipos de distonia, a primária e a secundária. Na primeira, desconhece-se a causa, sendo parte das distonias primárias genéticas; na segunda, a causa é consequência de uma doença, acidente ou problemas no parto.

 Causas

As causas não são conhecidas (idiopáticas) em grande parte dos doentes. Há quem defenda ser devido ao funcionamento incorrecto dos núcleos da base do cérebro, provocando contracções e movimentos involuntários nos músculos errados quando a pessoa está parada ou em movimento.

Também pode ser devida a uma hiperactividade de algumas áreas do cérebro, como o tálamo, córtex cerebral e gânglios basais.

A distonia crónica pode ter origem genética. A distonia também pode ser provocada numa situação grave de hipoxia (falta de oxigénio no cérebro), por alguns metais pesados, reacção a alguns medicamentos (geralmente melhora com medicação injectável), por doenças ou acidentes que provoquem lesão em certas zonas do cérebro (distonia secundária).

As distonias focais afectam apenas uma zona limitada do corpo. Normalmente, os sintomas começam após os 30 anos e podem passar despercebidos. Posteriormente, as contracções musculares são mais intensas e frequentes, manifestando-se também durante o repouso. Nesta altura, pode haver dor no músculo comprometido.

As cinco distonias focais mais frequentes são a blefarospasmo, distonia oromandibular, torcicolo espasmódico, disfonia espasmódica e cãibra do escrivão.

 

Distonia focal blefarospasmo

Esta distonia afecta os músculos localizados na região peri-orbital, responsáveis pelo fechar das pálpebras. Na fase inicial, há um aumento do número de vezes do piscar os olhos, irritação dos olhos e maior sensibilidade á luz (fotofobia). O uso de óculos de sol alivia o desconforto da luz. O stress agrava a doença.

Com a evolução da doença, há aumento da frequência e intensidade no piscar os olhos, e por fim surgem espasmos musculares que provocam dificuldade na abertura dos olhos. Pode afectar um olho e posteriormente o outro. Surge grande dificuldade em ver, podendo levar o doente a ficar incapacitado para executar algumas tarefas do dia-a-dia.

 

Distonia oromandibular

Os espasmos estão localizados na região inferior da cara (boca, língua e mandíbula). Há dificuldade na abertura e/ou encerramento da boca, no mastigar, engolir e articulação das palavras.

 

Torcicolo espasmódico

É o mais frequente e afecta os músculos que sustentam o pescoço. Pode ser em um ou ambos os lados e afectar mais do que um músculo. As alterações da postura são ao nível da cabeça e pescoço, podendo haver rotação, desvio para qualquer um dos lados, para a frente ou trás ou 2 combinados.

O stress e cansaço aumentam a intensidade da distonia, mas melhora com o repouso e a posição horizontal.

 

Disfonia espasmódica

Há comprometimento dos músculos das cordas vocais provocando dificuldade ou incapacidade na articulação das palavras e saída de som perceptível. Os espasmos musculares involuntários são ao nível das pregas vocais, laringe e faringe. Encontra-se muitas vezes conjuntamente, disfonia em outros músculos faciais. A voz pode sair com cortes ou tipo sussurro.

 

Cãibra do escrivão

Inicialmente, os movimentos involuntários do membro superior surgem ao realizar uma tarefa repetitiva como escrever (escrivão) ou tocar música (músico). Com a evolução da doença, a alteração pode surgir durante o repouso.

 

Distonia segmentar

Os músculos não são restritos a uma zona, mas sim a duas juntas. A mais comum é a que atinge os músculos peri- orbitais (distonia blefarospasmo) e os da face (distonia oromandibular). Afecta músculos de ambas.

 

Hemidistonias

Os músculos afectados são sempre do mesmo lado do corpo. Pode surgir em qualquer faixa etária. As lesões no núcleo da base costumam ser do lado oposto da zona da manifestação da distonia.

 

Distonias generalizadas

São as mais raras das anteriores. Os sintomas surgem de forma lenta mas progressiva. Podem surgir na infância, com contracções em um ou ambos pés ao andar e posteriormente também em repouso.

A distonia vai afectando outros músculos do corpo, provocando grandes dificuldades na marcha. Pode ser necessária ajuda para as actividades do dia-a-dia.

 

Sinais e Sintomas

Inicialmente são suaves, podendo passar despercebidos, mas com a evolução da doença aumentam de frequência e intensidade. Diferem conforme o músculo afectado.

- Tremores

- Cãibra

- Deterioração da escrita

- Dificuldade ou incapacidade para agarrar em objectos (caneta, flauta ou tacos de golfe)

 

Tratamento

Como não se sabe ao certo qual a causa da doença, torna-se difícil tratar a causa da doença. Por este motivo, o tratamento é destinado ao alívio dos sintomas.

O tratamento pode ser feito com medicamentos, com a toxina botulínica ou cirúrgico.

O tratamento farmacológico, ajuda a controlar os movimentos e a reduzir as contracções. É mais eficaz nas distonias generalizadas da criança.

A toxina botulínica impede a contracção muscular porque paralisa os músculos implicados. Esta toxina é injectada nos músculos afectados. É mais eficaz nas distonias focais e segmentares do adulto. Este tratamento é feito em média de 3 em 3 meses, de forma a não haver regressão dos sintomas.

O tratamento cirúrgico é destinado aos doentes que não beneficiam com os anteriores. A cirurgia retira ou faz lesão cirúrgica dos nervos ou órgãos necessários.

Pode ser colocado cirurgicamente um neuroestimulador recarregável, que controla grande parte das contracções involuntárias.

 

Referencias: Enfermagem Médico - Cirúrgica - Conceitos e Prática Clínica Segunda Edição em Português, Tradução da Quarta Edição em Inglês, Vol I, Vol II,
Manual Terapêutica Médica - Editora: Lidel,
Enciclopédia Familiar da Saúde - Editora: Ediclube

 

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Faça o seu comentário

celia maria on 22/09/2009 20:08:08
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Achei muito importante esta reportagem ,muitos tem e não sabe,minha irmã teve fez tratamento com botox e ficou boa,eu mesma não sabia.
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raimundo nonato vasconcelos sousa on 28/09/2009 22:31:19
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achei muito interessante o estudo sobre distonia, mas preciso saber mais sobre o meu caso que é distonia certebral segmentar, se possivel alguem me informar a cura.pois está muito difiícl conviver com ela.
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Márcio on 03/01/2010 15:17:13
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De muita importância esta reportagem, tenho distonia focal no pescoço, já passei com vários médicos e só tomei remédios que me causaram reações muito ruins,procurei o HC de São Paulo e a fila é enorme, gostaria de saber se há algum médico que possa tratar do problema aqui em São Paulo até que eu consiga o tratamento pelo HC.
Agradeço desde já
Márcio Fernandes mssony@globo.com
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Francisco on 05/07/2010 01:06:37
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muito interessante as explicações sobre distonia,eu tenho,em crise fico com o corpo inclinado p frente e com muito movimento no abdomem,diminuição da marcha e concluo q é distonia generalizada,portanto preciso de esclarecimento,e se realmente não tem cura? faço acompanhamento com psiquiatra e c neurologista a 5 anos,meu neuro diz q é distonia paroxistica generalizada,a crise só passa se eu for na emergencia tomar diazepan e fenergan,depois de um tempo estou evitando,e quando consigo dormir normalmente a crise passa e acordo na maioria das vezes normal.é verdade q está ligada entre o emocional e o neurologico? aguardo resposta urgente,obrigado.
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Maria Oliveira on 06/07/2010 19:24:59
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Francisco, a parte emocional agrava a crise, não a provoca. A origem não está bem esclarecida, como está descrito nas causas. Depende da distonia.
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yasmim chaves on 07/09/2011 22:50:09
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eu tenho 11 anos tenho distonia na mão no pê e até nas axilas gente mim ajudem por favor eu to precisando de uma ajuda alguem que quera mim ajuda so é ligar 86671538
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luciana santos daher villanova on 15/12/2011 20:00:28
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MINHA FILHA TEM 17 ANOS E A 4 FOI DESCOBERTA A DISTONIA SEU PÉ DIREITO ESTÁ FICANDO EM FORMA DE GARRA E SEU BRAÇO DIREITO TAMBÉM FOI AFETADO ELA TAMBÉM TEM CONVULSÕES SOMENTE QUANDO DORME TOMA OXCARBAZEPINA,E TEM FEITO APLICAÇÕES DE BOTOX GOSTARIA DE CONHECER PESSOAS Q TEM O MESMO PROBLEMA
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Info do(a) Autor(a)
image , concluiu Curso Superior de Enfermagem em 1996 e a Licenciatura em Enfermagem em 2001. Fez em 2003 o Curso Inicial de Formadores e renovou em 2008. Editora do Conhecer Saúde.
Health On the Net Foundation


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